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MensagemEnviado: 05 fev 2016, 10:03 
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Reinado D. José
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... significava "coisa de pouco valor".

José de Alencar

ALFARRÁBIOS (1873)

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CAVACO

O GARATUJA é a primeira de uma série de crônicas dos tempos coloniais, algumas já escritas, outras apenas esboçadas, em tempos idos, quando o pensamento, ainda não de todo enredado nas teias do mundo, tinha folga para vaguear pelo passado, e entreter-se com as pieguices e ingenuidades de nossos pais, a quem o mais simplório garoto de agora enfiaria, não pelo fundo de uma agulha, o que não fora nenhuma façanha, mas pela cabeça de um alfinete.

Todavia, se o leitor no folhear estas páginas, tiver tempo de pensar, e se deixe ir a cogitar na singularidade da revolução, que esteve para ensangüentar a heróica, mas pacata, cidade de São Sebastião, lembre-se da magna questão do martelinho, que por pouco não perturbou a paz maçônica, da mesma forma que outrora o hissope na igreja d'Elvas.

Então há de concordar comigo que o homem é sempre menino até morrer de velhice; e que depois das criançadas do pirralho, vêm as travessuras do rapazola, e por último as estrepolias dos barbaças, as quais são as piores, sobretudo quando começa-lhe a grisar o pêlo.

Quem duvidar do cunho histórico desta simples narrativa, poderá facilmente verificá-lo abrindo o 3º volume dos Anais do Rio de Janeiro, escritos pelo Dr. Baltasar da Silva Lisboa.

Naquele tempo o cidadão, porque servira o cargo de juiz de fora e presidente da Câmara, julgava-se obrigado a oferecer a seu país "o fruto dos conhecimentos adquiridos nas diligências do serviço público". Hoje em dia nem a juizes, nem a edis, sobra tempo para se ocuparem com tais nugas, pois todo se vai em subir e descer escadas, pôr e tirar o chapéu, dobrar e torcer a cerviz.

No referido tomo, à página 314, entre os parágrafos 35 e 39, apanhou o cronista fluminense pela rama os acontecimentos que puseram em tumulto a cidade. Aí se encontram até eruditas elucidações do caso jurídico, sobre o qual o Dr. Baltasar entendeu que devia emitir seu juízo.

Não é ele o único dos compiladores de notícias, que neste país se meteu a tralhão, recheando a história com os lardos de uma erudição rançosa. Outros o excederam de muito nessa mania enciclopédica.

Escaparam porém ao cronista muitas particularidades, que ele descurou e que eu pude, obter consultando um arquivo arqueológico, bem provido, e que tenho à minha disposição, para o estudar à vontade.

Meu arquivo arqueológico, por cautela vou prevenindo, não custou um ceitil aos cofres públicos, nem aspira à honra de ser comprado pelo governo do Sr. D. Pedro II, como está em voga desde a consciência até as leis, que tudo hoje em dia se vende, por atacado ou a varejo, em códigos ou empreitadas.

A minha preciosidade literária não custou nem mesmo o trabalho de andar cascavilhando papéis velhos em armários de secretarias; ou a canseira de trocar as pernas pela Europa, cosido em fardão agaloado a pretexto de representar o Brasil nas cortes estrangeiras. Que formidável "prosopopéia!".

Quero fazer ao leitor a confidência do meu achado.

(...)


_________________
Um abraço,
Carrancho

Os meus leilões: http://megaleiloes.pt/leiloes-de-Carrancho
A minha colecção de Ceitis no Museu da Moeda: https://sites.google.com/site/numismati ... a_moeda/mc


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