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MensagemEnviado: 06 nov 2015, 19:40 
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Reinado D. Sebastião
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Registado: 02 fev 2015, 00:08
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A rede de arquivos nacional, a Torre do Tombo, acolhe, por distrito, todos os registos paroquiais das freguesias portuguesas, até 1896.

O registo dos baptismos e dos casamentos foi uma imposição que a Igreja Católica deliberou no Concílio de Trento, por volta de 1560.

A partir dessa data, todos os padres das paróquias do mundo católico ficaram obrigados a assentar em livro o nome, a data e a filiação dos recém nascidos. Progressivamente, começaram a ser introduzidos esses registos em Portugal, em todas as paróquias do reino. A partir de 1614, os óbitos também passaram a ser integrados nos registos.

Algumas dioceses maiores, como Lisboa, têm registos anteriores ao Concílio de Trento, outras têm apenas para algumas famílias, mas, de uma maneira geral, todos os portugueses, especialmente a partir de 1600, estão registados nesses cadernos, pelo que é uma das principais fontes para traçar as genealogias.

Nos últimos anos (e em continuidade) têm sido digitalizados centenas de livros que estão agora disponíveis online:

http://tombo.pt/

Para efectuar a pesquisa, é necessário escolher o distrito - concelho e freguesia de um antepassado nosso que saibamos ter nascido/morrido ou casado antes de 1911 (a maior parte, porém só está ainda até 1896), daí para trás é uma questão de ir recolhendo a informação do registo, como o nome e naturalidade dos pais, dos avós paternos e maternos.


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MensagemEnviado: 06 nov 2015, 19:58 
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Reinado D. Pedro IV

Registado: 24 mar 2015, 21:01
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Muito bem, agora vou procurar as minhas origens, se calhar sou conde do Algarve e Alentejo :lol: :lol: :lol:


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MensagemEnviado: 06 nov 2015, 19:59 
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Reinado D. Pedro IV

Registado: 24 mar 2015, 21:01
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MCarvalho Obrigado por partilhar


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MensagemEnviado: 09 nov 2015, 21:38 
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Reinado D. Maria II

Registado: 12 mar 2015, 11:36
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Um bom entretimento para as noites de inverno.
Muito obrigado, caro Mário! :)


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MensagemEnviado: 10 nov 2015, 10:21 
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Reinado D. Manuel II

Registado: 09 fev 2015, 10:26
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Muito bom dia.
Há mais de um ano que me tenho entretido a fazer a árvore genológica para a minha filha, tenho encontrado muitos registos, por volta de 250, entre nascimentos casamentos e óbitos.
Quando não encontram o registo podem pedir através de um formulário que existe nos sites dos arquivos distritais ao qual pertenceram as pessoas que procuram e caso estes o encontrem enviam-no por carta ou email com o custo de 1€
cada copia.
Nos mais recentes (1911 em diante) tenho consultado os registos paroquiais que ainda se encontram na paróquia, quando não encontro vou ao registo civil e peço uma cópia não certificada do registo que pretendo, convém saber as datas aproximadas dos registos , o preço de cada copia é de 1€.
Recomendo, é uma experiencia interessante e muito enriquecedora sobre quem nos somos.
Se poder ajudar em alguma coisa disponham.
Cumprimentos
Carlos Roxo


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MensagemEnviado: 10 nov 2015, 11:17 
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Reinado D. Sebastião
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Registado: 02 fev 2015, 00:08
Mensagens: 851
Realmente, aprende-se muito, Carlos. E não é só por uma questão de conhecermos a história familiar, é um todo um mundo do universo sociocultural e económico das diferentes épocas que nos chega às mãos. Desde o choque que é ver a natalidade infantil assustadora, a quantidade de pessoas que nada deixavam, por nada terem até aos momentos mais dramáticos do passado.

Como exemplo, dou um estudo que fiz, há tempos, sobre umas freguesias de Amarante. Sabia perfeitamente que, durante a Segunda Invasão Francesa, a cidade tinha oferecido uma resistência forte ao General Loison, sobretudo no acesso à ponte. É a história geral, todos temos mais ou menos uma ideia. O pior foi quando peguei nos registos dos óbitos para aquele período... Entre Abril e Maio de 1809, com especial incidência para o dia 9 de Abril, os padres não pararam de assinalar óbitos - homens, mulheres, idososos e até crianças. Todos eles com a entrada "morto pelos franceses", ou "morto por ferimentos procovados aquando da entrada dos franceses". Numas das paróquias, inclusive, o padre (imagino-o também ele chocado) começa a adjectivar os autos (algo impensável antes e depois) "morto pelos ímpios franceses". Ao lermos isto, e sobretudo se nos aparece por lá um nome de um parente distante (será sempre do nosso sangue, mesmo sem o termos conhecido), a nossa visão sobre a história evidentemente que muda, as coisas tornam-se mais claras e, confesso-o, o lirismo das fraternités começa a ser substituído pela consciência do genocídio que a Revolução Francesa provocou.


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MensagemEnviado: 10 nov 2015, 12:37 
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Escudo da I República

Registado: 12 abr 2015, 22:16
Mensagens: 14
MCarvalho Escreveu:
Realmente, aprende-se muito, Carlos. E não é só por uma questão de conhecermos a história familiar, é um todo um mundo do universo sociocultural e económico das diferentes épocas que nos chega às mãos. Desde o choque que é ver a natalidade infantil assustadora, a quantidade de pessoas que nada deixavam, por nada terem até aos momentos mais dramáticos do passado.

Como exemplo, dou um estudo que fiz, há tempos, sobre umas freguesias de Amarante. Sabia perfeitamente que, durante a Segunda Invasão Francesa, a cidade tinha oferecido uma resistência forte ao General Loison, sobretudo no acesso à ponte. É a história geral, todos temos mais ou menos uma ideia. O pior foi quando peguei nos registos dos óbitos para aquele período... Entre Abril e Maio de 1809, com especial incidência para o dia 9 de Abril, os padres não pararam de assinalar óbitos - homens, mulheres, idososos e até crianças. Todos eles com a entrada "morto pelos franceses", ou "morto por ferimentos procovados aquando da entrada dos franceses". Numas das paróquias, inclusive, o padre (imagino-o também ele chocado) começa a adjectivar os autos (algo impensável antes e depois) "morto pelos ímpios franceses". Ao lermos isto, e sobretudo se nos aparece por lá um nome de um parente distante (será sempre do nosso sangue, mesmo sem o termos conhecido), a nossa visão sobre a história evidentemente que muda, as coisas tornam-se mais claras e, confesso-o, o lirismo das fraternités começa a ser substituído pela consciência do genocídio que a Revolução Francesa provocou.

Boa tarde Sr MCarvalho
Esse estudo que realizou encontra-se em algum lado, caso se queira consultar ou está com o senhor?
Tinha interesse em conhecer melhor esta historia das invasões Frencesas.
O senhor é de Amarante ou das proximidades?
Obrigado
Cumprimentos


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MensagemEnviado: 10 nov 2015, 13:31 
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Reinado D. Sebastião
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Registado: 02 fev 2015, 00:08
Mensagens: 851
Viva,

tenho raízes em Amarante, sim, mas já não tenho lá família directa. A recolha que fiz foi a título pessoal, mas se tiver dados que interessem, claro que posso ajudar.

Um exemplo daquilo que disse, pode ser consultado aqui: http://pesquisa.adporto.pt/viewer?id=811718, no registo dos óbitos da freguesia de Mancelos, logo a partir da folha 4 (verso - é a que está à esquerda da folha 5 na digitalização), vemos a primeira entrada do dia 9 de Abril, que regista logo no ínicio (é a segunda entrada) a morte de uma senhora chamada Ana Maria, mulher de um José da Mota, do lugar de Novais "assassinada pellos iniquos francezes", a lista continua pelas folhas seguintes.

Serão vítimas do ataque à ponte, a 9 de Abril de 1809 que a população e o General Silveira conseguiram aguentar, a muito custo pelo que se percebe, porque as mortes dos dias seguintes devem ser retaliações dos franceses, à medida que iam descendo para Penafiel.

Neste exemplo, do centro de Amarante, do dia 19 de Abril, o padre fez uma lista seguida:


Imagem

Começa mais ou menos assim (verso da folha 2 - ao lado esquerdo da folha 3 - a meio):

Aos dezoito dias do mez de Abril do anno de mil oito centos e nove pela ocazião em que os Francezes entrarão nesta Villa e freguezia de S. Gonçallo de Amarante falecerão da vida prezente mortos pelo incendio e as maons dos Francezes as pessoas seguintes todos assistentes nesta dita freguezia

Anna Maria de Azevedo viuva de Manuel Antonio da estalaje Rua da Ordem


e continua a lista.


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MensagemEnviado: 10 nov 2015, 13:43 
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Reinado D. Manuel II

Registado: 09 fev 2015, 10:26
Mensagens: 16
MCarvalho Escreveu:
Ao lermos isto, e sobretudo se nos aparece por lá um nome de um parente distante (será sempre do nosso sangue, mesmo sem o termos conhecido), a nossa visão sobre a história evidentemente que muda, as coisas tornam-se mais claras e, confesso-o, o lirismo das fraternités começa a ser substituído pela consciência do genocídio que a Revolução Francesa provocou.


É mesmo assim.
No meu caso não foi nas invasões Francesas mas foi na primeira guerra mundial.
Depois de muitas pesquisas e envio de email consegui o boletim individual militar e o registo de óbito do 1º marido da minha avó materna que foi para a 1ª guerra mundial, e constatei que alem de varias baixas ao hospital durante a guerra acabou por falecer já em Portugal no hospital militar. No registo de óbito consta que não sabem o nome da mulher idade e domicilio, não sabem se tem filhos menores, se deixou bens e se fez testamento.
A minha avó ficou viúva desamparada com um filho pequeno, o corpo foi sepultado na localidade onde faleceu, não foi entregue á família pois era desconhecida e a família não esteve presente pois não sabia o seu paradeiro nem que tinha falecido.
Uma coisa é certa a minha visão sobre a 1º guerra nunca mais foi a mesma.
Cumprimentos
Carlos Roxo


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MensagemEnviado: 11 nov 2015, 10:58 
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Reinado D. Pedro I
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Registado: 02 fev 2015, 09:44
Mensagens: 1828
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Também já vasculhei qualquer coisinha. :)

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Celso.
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MensagemEnviado: 14 nov 2015, 15:47 
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Euro Caloiro
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Registado: 19 fev 2015, 23:57
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Fantástico! E eu que tinha perdido a esperança em descobrir mais sobre as minhas raízes.
Obrigado pela partilha!

Cumprimentos,

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mangusto


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